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15/07/2015
Pelo menos 50% dos edifícios estruturados em aço no Brasil não apresentam condições adequadas de proteção contra fogo
Imóveis podem colapsar em menos de 15 minutos; alerta é um dos maiores especialistas em tecnologias de proteção passiva contra incêndio do País
Pelo menos 50% dos edifícios estruturados em aço no Brasil não apresentam condições adequadas de proteção contra fogo e podem, no limite, colapsar em menos de 15 minutos de um incêndio.



O alerta é do empresário Rogério Lin, um dos maiores especialistas em tecnologias de proteção passiva contra incêndio do País. Baseados em estudos feitos a partir do atendimento a centenas de edificações por sua empresa, a CKC do Brasil, os cálculos de Lin são, segundo ele, “bastante otimistas por desconsiderar as construções protegidas apenas no papel – aquelas que passaram por algum tratamento, mas sem certificação e muitas vezes sem acompanhamento técnico, apesar de um engenheiro ter assinado a ART*”.

O problema se mostra mais grave, diz Lin, se considerado que nos últimos anos houve um crescimento explosivo na construção de edifícios com estrutura metálica no Brasil como decorrência de ser até três vezes mais rápida e consequentemente inaugurar empreendimentos antecipadamente frente à construção tradicional em concreto. “A grande maioria dos edifícios em aço estrutural tem finalidade comercial e é de médio ou grande porte – a exemplo de shoppings, aeroportos, universidades e hospitais”, explica o empresário, que é pós-graduado em Londres em um dos raros cursos do mundo de proteção passiva contra incêndios.

Embora já tenha contribuído com a criação de novas normas de segurança contra incêndio em uma das comissões especializadas da ABNT (Associação Brasileira de Normas e Técnicas), Rogério lembra que só regras não são o bastante. “É preciso que o mercado as siga. Estamos falando de locais em que facilmente circulam milhares de pessoas por dia, cuja segurança é posta à prova de maneira temerária e sem nenhum motivo”, diz ele, recordando que tragédias recentes como a da boate Kiss, no Rio Grande do Sul, poderiam ter sido evitadas.
De acordo com o executivo da CKC do Brasil, que já implementou mais de 500 projetos no País - a exemplo de estações da Linha Amarela do Metrô de SP e parte das instalações da Vila Olímpica para os Jogos de 2016 -, “a questão do aço estrutural é que ele perde metade de sua resistência a partir de 500° C. Em um incêndio as temperaturas superam em muito esta temperatura crítica. E, como se trata da estrutura do prédio, dependendo do local do fogo o colapso é inevitável”.

Há pelo menos três abordagens tecnológicas de proteção ao aço aprovadas mundialmente e disponíveis no Brasil, uma das quais é um revestimento semelhante a uma pintura que, em contato com temperaturas altas, se expande, protegendo o metal por até duas horas contra o fogo. Outra delas usa um tipo especial de argamassa feita de rochas de baixa condutividade térmica e há, por fim, uma técnica de encaixotamento do aço por placas de silicato de cálcio. O drywall ou o gesso resistente ao fogo (placas rosas) não são soluções certificadas para proteção de estruturas metálicas em situação de incêndio, portanto não devem ser utilizadas para este fim, lembra Lin.

O engenheiro Robson Barradas corrobora o alerta de Rogério Lin. Segundo o mestre do Curso de Engenharia de Segurança do Trabalho da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da FTESM (Fundação Técnico-Educacional Souza Marques), menos de 5% das modernas construções utilizam proteções passivas contra incêndio adequadas - e as que utilizam normalmente o fazem apenas por exigência dos Corpos de Bombeiros ou do mercado segurador.

Mas por que mais da metade dos prédios brasileiros não as utiliza? Para Rogério Lin, a questão é de desconhecimento por um lado e de falta de exigências mais rigorosas dos órgãos fiscalizadores por outro.
De acordo com o professor Barradas, responsável por projetos de segurança estrutural em hospitais, centros culturais, arquibancadas metálicas do Maracanã, Rede Globo e Mirante da Vila Olímpica que abrigará os jogos mundiais em 2016 no Rio de Janeiro, há falta de informação adequada sobre legislação e técnicas de prevenção contra incêndios. “Muitas vezes, a exigência para o uso de proteção passiva está na própria legislação estadual de segurança contra incêndios e pânico (como é o caso do Rio de Janeiro, através de seu Artigo 204 para edificações em estrutura metálica), mas é grande o desconhecimento por parte da maioria do mercado de construção civil”. 

Para corrigir o problema, sugere o empresário Rogério Lin, bastaria que os órgãos públicos de fiscalização passassem a exigir o uso de produtos e de equipes treinadas, ambos certificados pela ABNT. “É o tipo de solução simples que valeria para os novos edifícios – e que não vai onerar significativamente seu custo. Para os muitos que já existem, o caminho seria uma espécie de mutirão para avaliar suas condições. As empresas e pessoas que ocupam esses espaços merecem essa atenção, que deveria ser redobrada na medida em que muitas obras escondem vigas metálicas estruturais desprotegidas por trás de forros rebaixados.”
Segundo Robson Barradas, criar um forte alicerce com base na Educação, através de cursos de formação, investir na atualização da maioria das legislações e das normas técnicas do setor e buscar maior engajamento da mídia quanto à divulgação dessas informações e à conscientização de fiscalização a nível nacional são passos fundamentais para romper a barreira. “O Brasil pode chegar às mesmas condições de excelência em proteção passiva contra fogo como na Europa e nos Estados Unidos”, diz ele. “O segredo está nas ações relativas a Educação, Legislação e Fiscalização”.  
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*ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) é um documento emitido pelo CREA de cada Estado e que é apresentado ao Corpo de Bombeiros, atestando que o produto antichamas foi aplicado adequadamente e com acompanhamento de um engenheiro civil, químico, mecânico ou de segurança do trabalho.


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